[Podia ser] Simmel e o “pequeno culto” de Mme Verdurin

A etapa mais precoce que é possível encontrar, tanto das formações sociais ao longo da história como nas da actualidade, é a seguinte: um círculo relativamente pequeno, solidamente fechado para os vizinhos e os estrangeiros, ou contra outros círculos, que sejam de alguma forma seus antagonistas, mas, em contrapartida, com uma coesão tanto mais forte por esse motivo; um círculo que apenas concede aos seus membros uma pequena margem para a manifestação de qualidades particulares e de movimentos livres e autónomos. Assim nascem os grupos políticos e familiares, as formações políticas, as comunidades religiosas; a autopreservação das associações muito jovens exige o estabelecimento de fronteiras rigorosamente demarcadas, assim como uma unidade centrípeta e, consequentemente, não pode conceder ao indivíduo nem liberdade nem particularidade no desenvolvimento interno ou externo.

Georg Simmel. 2004. “As Metrópoles e a Vida Mental”.Fidelidade e gratidão e outros textos. Lisboa: Relógio D’Água

E esta poderia ser a descrição de um do núcleo social parisiense da segunda parte de Du côté de chez Swann, o primeiro volume de À la recherche du temps perdu, de Marcel Proust.

Mme Verdurin é uma personagem verdadeiramente urbana.

“Each ‘new recruit’ that the Verdurins failed to persuade that the evenings spent by other people, in other houses than theirs, were as dull as ditch-water, saw himself banished forthwith.”

“…the Verdurins, who were not in the least afraid of a woman’s having a lover, provided she had him in their company, loved him in their company and did not prefer him to their company, would say, ‘Very well, then, bring your friend along.’ And he would be engaged on probation, to see whether he was willing to have no secrets from Mme Verdurin, whether he was susceptible of being enrolled in the “little clan.'” 

“Evening dress was barred, because you were all ‘good pals’ and didn’t want to look like the ‘boring people’ who were to be avoided like the plague and only asked to the big evenings, which were given as seldom as possible and then only if it would amuse the painter or make the musician better known.”

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: