“Morangos com Açúcar – o Filme”: um acto de reflexão

Eu não vi o objecto em causa e por isso não falo. Mas o Flávio Gonçalves viu, pensou e falou bem, parece-me.

Como não sou nenhum S. Tomé, não preciso de ver para crer nas palavras vindas do Sétimo Continente, e concordo até  com muita da insurreição expressa. Passo a palavra ao Flávio:

Tal como recuso aceitar que objetos insuportáveis como este em particular não sejam alvo de uma atenção pelos profissionais que estão destinados a pensar (e escrever sobre) qualquer tipo de cinema. Considero, aliás, vergonhoso que tenha lido (visto ou ouvido) apenas uma ou duas vozes sobre o que é e o que significaMorangos com Açúcar – O Filme, como se, por ser o objeto que é (a extensão de uma telenovela dedicada a pré-adolescentes e adolescentes), desmerecesse por isso qualquer reflexão. Pois então: nada de mais errado! Pensar a cultura é também pensar nos múltiplos vértices que a constituem – e, sim, mesmo aqueles que nos parecem atacá-la diretamente. A função de um crítico de cinema deve ser também essa: situar-nos, com um determinado objeto, num certo panorama e contexto social, político e estético. E não, como aconteceu com Morangospura e simplesmente ignorar a sua existência.

(…)

E, de facto, é na muito fácil “falar mal” quando falamos de um objeto que surge como o culminar de anos de banalidade. Mais fácil ainda me parece esquecê-lo, exatamente pela sua condição de “filme mau”. No entanto, importa perceber o que significa vermos este autodenominado filme, que na verdade nos parece.

Contudo, não me vou penitenciar, não vou ver o filme. Porque é para isso que a crítica (também) serve, para nos alumiar o caminho (embora a minha ideia luminosa de não me dirigir a um cinema e pagar um bilhete para ver aquilo me tivesse surgido independente e autonomamente), mas mais importante ainda serve para incutir a reflexão, não apenas cinematográfica, mas também cultural e social. Obrigada ao autor daquele texto por me ter posto a pensar sobre um objecto com o qual nunca pensei vir a gastar dois segundos da minha existência, mas que realmente, exige que, mais uma vez, questionemos que raio de cultura é fomentada neste país.

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